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Contra o cerimonialismo nas uniões militares evangélicas


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Introdução

Imagine um auditório, com presença maciça de militares aguardando o início de determinada conferência. Todos eles com farda bem passada, vincada, nova, de passeio, o equivalente a passeio completo para o paisano. Imagine também que, à porta de entrada, aglomeram-se outros militares como porta-estandartes, com bandeiras tanto de uma ou mais uniões militares evangélicas quanto da Nação ou estado que representam. E qual a finalidade disso? Esse é o questionamento que nos leva a refletir, através deste artigo.

Simplificar, não complicar

Dentro da vivência diária no meio militar, sabemos que um ponto importante é descomplicar. Na gíria, conhece-se essa necessidade pela expressão “deixa de elucubração”, ou equivalente. De fato, tudo o que vem a tornar complicado aquilo que deveria ser simples passa a ser errado, ou peca pela ponderação. Não é o caso dificultar o exercício de uma atividade. Jamais se deve ir além da simplicidade dada pelo próprio Senhor através da Bíblia: no Sermão da Montanha, um dos grandes destaques da palavra de Cristo é justamente a vida que se dedica ao Reino de Deus, não aos anseios da vida como o faz a imensa maioria da humanidade, pois o que for além será concedido pelo Pai que está nos céus.

Falamos em simplicidade, pois um dos grandes problemas do trabalho no meio militar consiste nos extremos: ou se é simples demais, a ponto de fazer a obra de qualquer jeito, ou se é complexo, tendente ao cerimonialismo sem valor ou eficácia. A cena descrita no primeiro parágrafo deste texto é real, não apenas produto de imaginação. De fato, constatou-se há algum tempo, como herança de outras uniões militares evangélicas mundo afora, uma valorização de elementos complexos para um evento de grandes proporções, destinado ao congraçamento de irmãos na fé e militares de suas respectivas Forças. Seria isso válido? Entendemos que não, com o devido respeito.

Cerimonialismo: costume vazio de significado

O grande problema do cerimonialismo é a perda de seu significado. Não há figuras aleatórias: o pessoal militar sabe bem que cada detalhe do cerimonial consta de normas, de amplo conhecimento, baseadas sim em usos e costumes, mas de algo regulamentar que, se não cumprido, sujeita o infrator a punições disciplinares. E eventuais sanções pelo descumprimento de tais normas nem constitui o principal problema: o mais preocupante é quando há a perda de significado de uma norma que institui determinado padrão de conduta militar em cerimonial.

Se não há tradições a serem cultivadas, se o patriotismo não é mais força-motriz da Instituição, se não há amor pelo Brasil ou pela Bandeira, qual a finalidade da cadência adequada, do ombro-arma no momento certo, da continência à máxima autoridade presente, do canto de determinado Hino ou Canção? Pior: se a própria Bíblia valoriza a simplicidade no caminho com Cristo, rompendo com uma tradição antiga e farisaica, que impunha ao povo judeu certas condutas conhecidas apropriadamente como “lei cerimonial”, por que então determinados tipos de normas deveriam ser observadas no contexto da união militar evangélica?

Nem se comente o fato de que, conforme a hipótese, essas normas cerimoniais constem de “estatuto” ou de “regimento interno”. Entendemos que não é o caso de elas existirem. Qual a finalidade de se ingressar em determinado recinto de certa forma, com certa cadência previamente combinada, bandeiras em mastro, uniforme e tudo o mais? Há cerimônia militar envolvida, solenidade aberta ao pleno conhecimento das respectivas cadeias de Comando lá representadas? Em que Boletim foi publicado o vade-mécum do cerimonial militar lá empregado? O cerimonialismo, portanto, transforma-se em algo vazio, desprovido de seu real significado, convertendo-se em mera conduta relegada ao costume, que se traduz num desvio da sua finalidade original; afinal, há o emprego das convenções adotadas no âmbito das Forças para dar um suposto “diferencial” a algo que, além de não se realizar – em tese – no contexto castrense, destoa do que realmente se torna importante na realização do trabalho evangélico militar. A beleza da vida com Cristo, dentro da vida militar, deve ser demonstrada de outras formas, integradoras, revestidas de sentido e de discernimento espiritual. O costume, que sequer é norma dentre os demais militares, jamais pode se sobrepor à doutrina, e em especial à pureza da pregação da Palavra de Deus.

Real fundamento do cerimonialismo: religiosidade e legalismo

As razões para essa conduta, tal como é apresentada, têm fundamento claro na religiosidade e na necessidade de tornar formal aquilo que poderia ser informal, guardadas as devidas proporções, o zelo pela obra e o respeito que deve haver entre os círculos hierárquicos e entre os pares de cada militar. Todo excesso deveria ser condenado, a nosso ver, até mesmo por ferir a necessária discrição que a obra deve ter, em absoluto respeito à sua finalidade principal, às determinações hierárquicas e, em última análise, ao próprio poder constituído, ainda que, em tese, a conduta não se constitua transgressão disciplinar. Necessário lembrar que não é o caso associar tais figuras com as de, por exemplo, um casamento militar, com seu tradicional “teto de aço”, o noivo fardado, dentre outras figuras lá usadas: nem em ocasião como essa se vê um rigor tão grande quanto o do cerimonial e a suntuosidade, traduzidos por certos grupos militares evangélicos. Ou seja: qual a razão de evidentes excessos no trabalho cristão militar? Há conteúdo que se sobrepõe à forma, ou a forma é mais importante do que o conteúdo? Seria o tradicionalismo mais importante do que legítimas tradições constituídas?

Questões pertinentes

De forma prática, e concluindo, sugerimos a resposta às seguintes perguntas, dado o levantamento dessa problemática: é lícito, mas convém? É lícito, mas edifica? Deve ser realizado em ambiente não militar, ...


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» Comentários até agora: 1.

Em 05/11/2013, às 22:02, ISAIAS SAMPAIO, de FORTALEZA CE, ponderou:
NÃO É PRUDENTE ABOLIR AS TRADIÇOES MILITARES NAS CERIMONIAS, PORQUE GERA A BANALIDADE, O DESCASO O DESRESPEIRO COM O QUE HÁ DE MAIS RESPEITÁVEL, AÍNDA, NESTE PAÍS QUE SÃO OS MILITARES, OU SEJA A ULTIMA INSTANCIA DA CONTINUIDADE DA NAÇÃO. ACABAR O QUE É TRADIÇÃO E QUE TEM QUE CONTINUAR PARA AS FUTURAS GERAÇÕES NÃO É CERTO. VEJAM A NOSSA POLÍCIA, DESMORALIZADA, INOPERANTE, OS NOSSOS SIMBOLOS NACIONAIS PROFANADOS, OS NOSSOS MILITARES ASSALTANDO EM SÃO PAULO.QUEREMOS O QUE ° O CÁOS.

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