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Discipulado

O Discipulado de Jesus Segundo Mateus - Parte I

Por Reginaldo Corrêa de Carvalho

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... Jesus nesta ordenança, orienta os discípulos para ensinar a outros discípulos a "guardar todas as coisas que vos tenho ensinado". A pergunta que se deve fazer é: qual é o conteúdo deste ensino? Alguma luz é lançada a partir da reflexão de Bosch. Este estudioso comenta que:

O evangelho de Mateus possui cinco grandes sermões ou discursos (formando, de acordo com alguns estudiosos, o pentateuco de Mateus). Eles são os sermões sobre: 1) discipulado (5-7); 2) a missão apostólica (10); 3) como o Reino de Deus vem (13); 4) a disciplina na Igreja (18); e 5) falsos mestres e o fim (23-25). A frase: 'ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado' retorna, primariamente, ao primeiro destes discursos, o sermão da montanha" (BOSCH, 1996, p. 69)

A convicção de Bosch é que quando Jesus ordena a ministração do ensino, Ele está referindo-se ao Sermão do Monte. Todavia, conforme acentua Trihing, esta posição limita por demais o conteúdo dos ensinos de Cristo. Mais uma vez este autor faz um paralelo com o Antigo Testamento para se compreender melhor a intenção teológica do evangelho, bem como o significado da expressão "todas as coisas". Ele afirma:

Panta hósa afeta não só a lei moral, posto que a lei veterotestamentária se via também, desta forma, como uma magnitude complexa de ordem popular-social, cúltica e ética, cuja unidade apoiava-se na vontade suprema e na essência santa de Deus...Certamente toda a vida do povo da aliança é conformada por esta vontade. O mesmo pensamento se insinua com respeito a Mt 28.20. Ali, se manifesta a vontade do Kúrios frente ao povo de Deus. Mas, isto não se pode limitar a um "moral commends", "às exigências morais anunciadas por Jesus" ou vê-lo só como caracterização da obra de Jesus "no sentido da nova lei do sermão da montanha" (TRIHING, 1974, p. 53-54).

O "todas as coisas", como exposto acima, não pode ser resumido, limitado por ensinamentos isolados no evangelho. A dimensão dos ensinos de Jesus não se restringe a um código de ética ou moral, ainda que estes sejam importantes para a vida humana. Quando se fragmentam os ensinamentos de Cristo, dando ao sermão do Monte uma superioridade e, até mesmo, uma suficiência teológica e espiritual em detrimento aos demais ensinamentos, o discipulado em Cristo fica defasado, incompleto e defeituoso. O novo discípulo precisa saber "todas as coisas" que Jesus ensinou aos seus antigos discípulos. E, aos primeiros discípulos, o ensinamento foi mais amplo do que o sermão do Monte.

Todo o ensinamento de Cristo deve ser transmitido aos discípulos recém ingressados no Reino. Os cinco discursos apresentados no evangelho de Mateus formam o escopo de um material de discipulado que o autor quer desenvolver com os novos discípulos da comunidade (HÖRSTER, 1996, p. 34).

Hoje, com a disposição e o conteúdo dos escritos inspirados da Bíblia, não apenas o evangelho de Mateus, com todos os ensinamentos, com todos os discursos ou sermões, mas também as demais mensagens, ênfases e temas dos outros três evangelhos necessitam ser comunicados aos novos discípulos da Igreja de Cristo. A vontade de Deus é para ser aprendida no todo das mensagens de Cristo e não em partes ou fragmentos dela.

Na frase, uma palavra se sobressai; e esta é: guardar. No grego encontra-se o verbo terein, que é um infinitivo ativo (FRIBERG, 1987, p. 105) . O sentido do verbo, conforme é assinalado pelo Léxico do Novo Testamento, dos autores Gingrich e Danker é o de cumprir (1984, p. 206). Discípulo é aquele que cumpre os preceitos, orientações e mandamentos de Cristo Jesus. Em nossa frase, este cumprimento diz respeito à totalidade dos ensinamentos de Cristo. Em outras partes do evangelho, a prática, o cumprimento dos preceitos e ordenanças de Cristo são assinalados (Mt 7.21-23; 24-27; Mt 19.17). Não basta apenas chamar Jesus de Senhor, é preciso "fazer a vontade do Pai" (7.21). Somente ouvir não é suficiente para os discípulos, é necessário praticar os preceitos e mandamentos aprendidos de Cristo (7.24-27). Faz a vontade de Deus aquele que ouve e obedece a mensagem ouvida (Mt 21.28-32).

1.3 À guisa de resumo.

Conforme visto acima, o evangelho de Mateus é o que melhor pode ser usado, pesquisado e estudado dentro do tema do discipulado cristão. Desde a igreja primitiva, usava-se este evangelho como base para a instrução dos novos convertidos e a formação dos novos crentes na fé cristã. Daí, emerge a sua importância e supremacia nesta missão.

O final do evangelho constitui-se em chave interpretativa para todo o livro. E é no final deste livro, na ênfase no discipulado que todo ele é compreendido. Seu conteúdo é didático, visa instruir os novos na fé. Sua construção literária é voltada para a formação de discípulos nos moldes do discipulado dos primeiros aprendizes de Cristo.

A autoridade e a presença de Cristo entre os seus discípulos formam a base sobre a qual o discipulado será desenvolvido. Ninguém pode realizar esta obra a não ser embasado, alicerçado nestas duas realidades. Esta missão inicia-se em Cristo, desenvolve-se nele e termina com a sua presença até a consumação dos séculos.

No texto de Mateus 28.16-20, o verbo principal é fazer discípulos, os demais verbos que se encontram no particípio, denotam a maneira, o modo, pelo qual se fará o discipulado. Assim, indo, batizando e ensinando são as maneiras de se fazer novos discípulos. Está é a via para a realização da tarefa.

A Igreja moderna necessita voltar seus olhos para a estratégia de trabalho e missão deixadas por Jesus. Os modismos missiológicos e eclesiásticos são desnecessários para uma Igreja que leva a sério as orientações do seu Senhor e Mestre.

A Igreja de Cristo é chamada para esta missão: fazer discípulos. Qualquer outra tarefa que venha a dar a primazia, a superioridade e a ênfase a outros meios que não ao ato de discipular novas vidas, necessita ser reavaliada.

A Igreja precisa pensar se tem ido proclamar a mensagem de Jesus. A inércia, a inatividade e o comodismo não fazem parte da missão ...


Texto Integral


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Originalmente publicado com o título O Discipulado de Acordo com o Exemplo e Ensino de Jesus Registrados no Evangelho Segundo Mateus.

NOTAS

(1) A quantidade de livros que expõem estes temas é enorme. Apenas para exemplificar, citamos os seguintes livros e autores: a) Copeland, Laws of prosperity; b) Frank e Ida Hammand, Porcos na Sala; c) Rebecca Brown, Ele veio para Libertar os Cativos; d) Hagin, A Autoridade do Crente; e) Hagin, É necessário que os cristãos sofram?; f) Hagin, o Extraordinário crescimento da fé; g) Hagin, Redimidos da miséria, da enfermidade e da morte.

(2) A revista Veja, semanalmente indica os livros mais vendidos. Hoje, esta revista divide os livros mais vendidos em três categorias, quais sejam: ficção, não-ficção e esotéricos e auto-ajuda. A menos de quatro anos é que a categoria de auto-ajuda e esotéricos foi inserida na revista; e foi a partir do boom de vendas de autores como Paulo Coelho e Lair Ribeiro, que a nossa geração começou a ser maciçamente influenciada pelas filosofias humanistas encontradas nestes livros. Para quem lê livros de auto-ajuda e esotéricos, fica claro que as bases filosóficas são: a) O ser humano é o centro de todas as coisas; b) O ser humano é medido por aquilo que obtém e consegue fazer; c) O sucesso é a finalidade última do ser humano; d) A vida resume-se a este momento que chamamos de presente; por isso mesmo devemos aproveitá-la intensamente.

(3) Para maiores esclarecimentos, recomendam-se os livros de: Paulo Romeiro, Evangélicos em Crise; Ricardo Gondim, O Evangelho da Nova Era; Alan Pierrat, O Evangelho da Prosperidade. Nestes livros, os autores fazem uma análise e abordagem dos problemas doutrinários e éticos encontrados hoje no seio da Igreja evangélica mundial.

(4) Este é um conceito encontrado no livro da Doutora Sherron K. George, a Igreja Ensinadora, 1990. Para ela, todas as pessoas são convidadas a participarem do processo de aprendizagem: crianças, jovens, adultos e idosos. Porém, a ministração do ensino deve ser integral, ou seja, deve atingir o todo do ser: emoções, sentimentos, razão e vontade. No que diz respeito ao discipulado, isto também é verdadeiro. E, é isto que se propõe aqui nesta dissertação.

(5) Bosch, Transforming Mission: Paradigm Theology of Mission; Trihing, W. El Verdadero Israel: La Teologia de Mateo; Michel, Otto, The Conclusion of Matthew's Gospel: a Contribution to the History of the Easter Message; Wilkias, Discipleship; Horster, Introdução e Síntese do Novo Testamento; Barbaglio e Fabris e Maggioni, Os Evangelhos (I); Tasker, Mateus, Introdução e Comentário; Rodrigues Júnior, A Taxonomia dos Objetivos Educacionais: Um Manual para o Usuário; Lasor, Gramática Sintática do Grego do Novo Testamento; Zumstein, Mateus, o Teólogo; Price, A Pedagogia de Jesus.

(6) Por "semântica" deve-se entender o significado da palavra enquanto palavra. Aqui, não se tem a intenção de trabalhar o termo dentro dos diversos campos semânticos em que a palavra aparece bem como as variações e significados que ela pode tomar nos diversos contextos em que ela for achada.

(7) Quando se fala em universalismo ou universalidade, estes termos podem ser entendidos de dois modos. 1) Em teologia sistemática, trata-se da abordagem daquela doutrina herética que crê na salvação final de todas as pessoas na consumação do tempo e da história; 2) em missiologia, refere-se ao amor incondicional de Deus a todas as pessoas de todas as épocas e lugares, sem todavia, implicar que todas serão salvas. Este modo de entender o termo foi difundido por Johannes Blauw em "A Natureza Missionária da Igreja", 1966. Neste trabalho, os termos acima citados devem ser entendidos dentro da perspectiva missiológica.





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