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Doutrina

O Espírito Santo: Uma Pessoa Própria e o Deus Verdadeiro

Por Rafael Gabas Thomé de Souza

Introdução

Sabemos que o Pai é Espírito (Jo 4:24), e é uma Pessoa (Mt 6:9). Jesus também é Espírito (1Co 15:45), e é uma Pessoa (At 7:55). Semelhantemente, o diabo é um espírito (Ef 2:2) e também é um indivíduo real, dotado de pessoalidade (1Pe 5:8). Os anjos são “espíritos ministradores” (Hb 1:14) e também são pessoas (Lc 2:10,13). Até mesmo os seres humanos são espíritos (1Ts 5:23). Assim, não é de se estranhar que o Espírito Santo seja alguém, e não "algo" indefinido, ou um poder abstrato.

A Bíblia Contrasta o Espírito Santo com Espíritos Imundos.

Em Mc 3:22 os escribas acusam Jesus de expulsar demônios "por Belzebu, o príncipe dos demônios". Devido a esta grave acusação de estar possesso, Cristo adverte os ouvintes sobre o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, "isto, porque diziam: 'Ele tem um espírito imundo'" (vs. 28-30). A argumentação de Jesus é que, ao invés de possuir um espírito imundo, ele tinha um espírito santo, ou seja, o Espírito de Deus, que o capacitava a operar milagres. Isso indica que o Espírito Santo também é uma Pessoa, da mesma forma que o diabo. Mas o texto não pára aí. Ele nos revela a natureza divina do Espírito Santo, em contraste com aqueles espíritos imundos que Cristo expulsava através Dele. Os vs. 28 e 29 declaram: "quem falar contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado..." (Mt 12:32). Assim como é possível falar contra Jesus, é possível também falar contra o Espírito Santo de Deus. Mais que isso: tal ato não encontra perdão, nem hoje nem no futuro. Isso mostra que, mais que uma força impessoal, o Espírito que estava no Filho de Deus era alguém, uma Pessoa divina a quem se podia blasfemar, incorrendo-se em perdição eterna.

Outra passagem que compara o Espírito Santo com os espíritos imundos é 1Tm 4:1: "Ora, o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e doutrinas de demônios". O "apóstolo dos gentios" afirma que o Espírito "diz que...", o que mais uma vez revela atividade pessoal por parte do Espírito Santo. Assim como o Espírito "diz", inspirando mensagens como esta entregue por Paulo, os "espíritos enganadores" também transmitem ensinamentos aos homens, contudo induzindo-os em perdição.

Outro texto semelhante, dessa vez do apóstolo João, encontra-se em 1Jo 4:1-6: "Amados, não creiais a todo o espírito, mas provais se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. (...) Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. (...) Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro". Assim como os falsos profetas são tomados por espíritos do erro, negando a encarnação de Cristo, e, conseqüentemente, sua messianidade e obra sacrificial (o "mistério da piedade", cf. 1Tm 3:16), os crentes em Jesus são a habitação de alguém "maior" que aqueles demônios: o "Espírito da verdade" (Jo 14:17; 15:26; 16:13). Isso é reforçado pela maneira como o "Espírito da verdade" foi chamado e descrito por Jesus Cristo: Ele seria um "outro Consolador" que viria estar com os apóstolos, assim como Ele havia permanecido entre eles; seria enviado pelo Pai, em nome de Jesus; diria tudo o que tivesse ouvido de Deus-Pai; glorificaria a Cristo; testificaria a respeito de Jesus, da mesma forma que os apóstolos testificariam depois; etc. Em paralelo com esta passagem, bem como com a anterior, encontramos o apóstolo Paulo profetizando acerca da vinda do Anticristo "cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder e sinais e prodígios de mentira" (2Ts 2:9). Ele ensina que tal homem só se manifestará quando aquilo que o impede for retirado – conforme vimos em 1Jo 4:1-6, trata-se da presença do Espírito Santo no mundo, que impede que o espírito do anticristo engane a todas as pessoas. Vemos, assim, uma troca: o Espírito Santo afasta-se parcialmente da terra, abandonando a Igreja apostatada, e deixa liberdade para o "espírito do erro" agir, enganando as nações – "por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira" (2Ts 2:11).

O apóstolo Pedro também ensinou o mesmo em relação ao Espírito Santo. Repreendendo o infiel Ananias, que retivera para si uma quantia de dinheiro, Pedro declarou: "Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade...?" (At 5:3). A lição do apóstolo é que, ao invés de Ananias permitir que um demônio o dirigisse, mentindo ao Espírito Santo, o que deveria ocorrer era exatamente o oposto: Ananias deveria deixar-se guiar pelo Espírito Santo, rejeitando as sugestões de Satanás (cf. 1Pe 5:8; Tg 4:7). Mais uma vez, aprofundando-nos no contexto, encontramos aqui a deidade do Espírito Santo exposta. No vs. imediatamente posterior, Pedro complementa: "...Não mentiste a homens, mas a Deus". A mentira de Ananias foi dirigida ao Espírito Santo. Logo, Ele é identificado aqui como "Deus". Esse é um dos textos mais fortes em favor da pessoalidade e divindade do Espírito, talvez até o mais forte.

Não é apenas o Novo Testamento que tece esses interessantes e reveladores paralelos entre "o Espírito Santo" e "os espíritos imundos", numa clara prova de que ambos são pessoas próprias. Em 2Cr 18:16-22, lemos acerca do profeta Micaías descrevendo uma visão por ele contemplada, na qual "os exércitos dos céus" – anjos e demônios – cercavam o trono de Javé, uns à Sua direita e os demais à Sua esquerda. Quando Deus pergunta por alguém que pudesse confundir o rei Jeosafá, a fim de fazê-lo incorrer em erro (cf. 2Ts 2:11), um "espírito" se apresenta, declarando: "Eu irei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas" (vs. 21). Repare a semelhança impressionante entre esta narração e as passagens neo-testamentárias que analisamos até agora. Em prosseguimento à narração, um dos falsos profetas, dirigidos por aquele "espírito de mentira", chega-se a Micaías e dá-lhe um soco no queixo, perguntando: "Por que caminho passou de mim o Espírito do SENHOR para falar a ti?" (vs. 23).

Dentro do contexto desta passagem, esse versículo é uma prova clara e irrefutável sobre à pessoalidade do Espírito de Deus. Somente aqueles que interpretam as Escrituras de forma alegórica, rejeitando a existência real dos demônios, podem fugir à realidade da doutrina revelada aqui. A conclusão é lógica e inescapável: assim como o espírito de mentira que confundia a boca dos profetas de Jeosafá era um ser próprio e individual, e não uma força ou influência, o "Espírito do SENHOR" que falava ao profeta Micaías era uma Pessoa espiritual, que lhe revelava os segredos de Deus (ver 1Co 2:11). Repare que o texto não diz que o Espírito falava “por meio” de Micaías (embora isso não deixe de ser verdadeiro), mas sim que Ele falava "a" Micaías. Acrescenta-se a isso o fato de existir referência vetero-testamentária à emotividade do Espírito de Deus: "Contristaram o teu Espírito Santo" (Is 63:10). O Espírito do SENHOR também é chamado de "Deus de Israel e Rocha de Israel" (2Sm 23:2,3), numa passagem semelhante àquela de Atos dos Apóstolos.

Mais um contrastamento entre o Espírito Santo e os demônios, no Antigo Testamento, está em 1Sm 16:14: “E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR”. Mais à frente, lemos que o rei Saul “profetizava” quando era tomado por aquele espírito mau enviado da parte de Deus (18:10). Essa mesma atividade é atribuída à ação do Espírito do SENHOR, quando Saul e os seus homens são tomados por transes proféticos: “Então enviou Saul mensageiros para trazerem a Davi, os quais viram uma congregação de profetas profetizando, onde estava Samuel que presidia sobre eles; e o Espírito de Deus veio sobre os mensageiros de Saul, e também eles profetizaram” (19:20-24).

Quando foram tomados pelo Espírito de Deus, Saul e seus homens “profetizaram”. Quando era tomado por um espírito demoníaco, o mesmo acontecia com o rei. Ao perder o Espírito do SENHOR, um espírito mau da parte de Deus imediatamente ocupa o lugar Daquele. A linha de raciocínio é óbvia: o Espírito do SENHOR é um Espírito enviado por Deus, que transforma o coração dos homens e age sobre os profetas (10:5,6), e não uma influência energética. Assim como o espírito mau enviado por Deus não era o próprio Deus, assim também o Espírito de Deus é pessoalmente distinto do Pai e do Filho, embora seja essencialmente unido a Eles. Apesar disso, seria inadequado que os servos de Javé possuíssem um espírito habitando seus corpos que não fosse o próprio Deus. E 1Sm 18:12 declara que o Espírito que se retirara de Saul não era outro que não o SENHOR. O mesmo é dito a respeito de Sansão: o Espírito do SENHOR, que o revestia de força sobre-humana, era o próprio SENHOR (Jz 15:14 c.c. 16:20).

O Espírito Santo é o Deus-Javé

Em prosseguimento ao que vimos até o momento, com claras porções escriturísticas que comprovam a deidade e pessoalidade do Espírito de Deus, analisaremos agora outras passagens que não deixam dúvidas acerca destes dois pontos, enfatizando agora a natureza divina do Espírito Santo, como verdadeiro Deus dos Exércitos.

Quando Moisés subia o Monte Sinai a fim de travar diálogo e relacionamento com o SENHOR Deus, é-nos dito que ele falava face-a-face com Deus: “Porém, entrando Moisés perante o SENHOR, para falar com ele, tirava o véu até sair; e, saindo, falava com os filhos de Israel o que lhe era ordenado” (Êx 34:34). Citando este texto, o apóstolo Paulo disse que os judeus de sua época tinham a mente coberta, não compreendendo as Escrituras que testificavam acerca da messianidade de Jesus. Só quando o véu da carne fosse retirado, aí o brilho da glória de Deus resplandeceria, iluminando o conhecimento deles acerca de Cristo (2Co 3:14-16).

Interessante é que o próprio apóstolo já fôra como aqueles judeus endurecidos: obcecado pela Lei de Moisés, Paulo perseguia a Cristo por meio da Igreja, até que Jesus manifestou-Se a ele, em Sua irradiante glória (At 9:1-19). Lembrando-se desse ocorrido, Paulo declara: “Ora, o Senhor é Espírito. E o onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (vs. 17,18). Citando Êx 34:34, o ex-Saulo de Tarso afirma que o “Senhor” (Javé) que Moisés via face-a-face no cume do Sinai era o Espírito Santo. Na presença Dele, os crentes no Messias encontram a mesma liberdade de Moisés para tirar o véu que cobre suas mentes, deixando que a glória de Cristo os ilumine. Dessa forma, com o tempo eles são moldados pela ação quebrantadora do Espírito, até tornarem-se imagem e semelhança de Deus.

Foi isso o que aconteceu com o apóstolo Paulo. Quando a glória do Senhor Jesus o atingiu, o impacto foi tão forte que ele passou três dias em jejum e oração, arrependendo-se do mal que fizera à Igreja (At 9:9, 11). Assim como Saul em sua perseguição a Davi, Paulo foi lançado ao chão quando estava em perseguição ao povo de Deus, no momento de seu encontro com Cristo (vs. 4). Após o arrependimento de Saulo, o Senhor Jesus aparece ao discípulo Ananias, afirmando que escolhera àquele homem como vaso de honra (vs. 10-16). O apóstolo ensina em 2Co 3:18 que esse agir da presença do Espírito Santo é algo contínuo na vida dos cristãos, o que foi confirmado por Jesus e pelo próprio Paulo em outros textos (Jo 4:10-12; 7:37-39; Ef 5:18; 1Ts 5:19).

Obs.: A palavra “Senhor” em 2Co 3:17 não é uma referência a Jesus Cristo. Paulo está se referindo à experiência de Moisés, aplicando-a como uma figura do caso dos judeus impenitentes de sua época. Logo, a palavra “SENHOR” de Êx 34:34 – o Tetragrama divino (IHVH) –, foi substituída por “Senhor”, como era costume entre os escritores do Novo Testamento, ao citar as Escrituras Hebraicas. Portanto, não encontramos aqui uma referência direta ao Filho de Deus. O que determina o sentido da palavra “Senhor” é o contexto, que, no caso, aponta em outra direção. Paulo diz que “o Senhor é Espírito”. A palavra “Espírito” não é uma mera referência à natureza incorpórea de Javé; segundo o restante do versículo, é uma citação ao Espírito de Deus, caso contrário a afirmação do apóstolo não teria sentido dentro do contexto.

Paulo declara que aquele “SENHOR” (IHVH), cuja glória impregnava o rosto de Moisés, era o “Espírito do Senhor”, cuja presença libertadora permitia que o legislador da Lei arrancasse seu véu.

Outro caso semelhante: a visão do profeta Ezequiel. Em Ez 8:1, lemos: “Sucedeu, pois, no sexto mês, no quinto dia do mês, estando eu assentado na minha casa, e os anciãos de Judá assentados diante de mim, que ali a mão do SENHOR caiu sobre mim” . No versículo seguinte, Ezequiel descreve o Ser visto por Ele, que tinha uma “semelhança como o aspecto de fogo“ (vs. 2). Lembre-se que o Espírito Santo foi visto pelo apóstolo João como tochas de fogo (Ap 4:5), e que, no dia de Pentecostes, o Espírito desceu como coisas semelhantes a labaredas (At 2:3).

Em seguida, o profeta Ezequiel declara: “E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre a terra e o céu, e levou-me a Jerusalém em visões de Deus, até a entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava o assento da imagem de ciúmes, que provoca ciúmes.” (vs. 3).

Quem tocou o profeta?

  • “O SENHOR”, segundo o vs. 1.
  • “O Espírito”, segundo o vs. 3.

A Pessoa incandescente vista por Ezequiel era o Espírito Santo, que é o próprio SENHOR. O mesmo podemos dizer acerca da mão misteriosa que tocava o profeta Daniel, dando-lhe vigor para falar e manter-se estável durante suas perturbadoras visões com os anjos de Deus:

“E eis que certa mão me tocou, e fez com que me movesse sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. (...) E eis que alguém, semelhante aos filhos dos homens, tocou-me os lábios; então abri a minha boca, e falei, dizendo àquele que estava em pé diante de mim: Senhor meu, por causa da visão sobrevieram-me dores, e não me ficou força alguma. (...) E aquele, que tinha aparência de um homem, tocou-me outra vez, e fortaleceu-me.” (Dn 10:10,16,18)

Aquele Ser em forma humana visto por Ezequiel e Daniel, que estendeu a mão sobre eles, era o Espírito do SENHOR. Dessa forma, o ensino sobre a natureza divina do Espírito Santo, bem como Sua existência consciente, é nítido e irrevogável nas Escrituras Sagradas. Negá-lo é negar o próprio Deus. Ninguém que rejeite os ensinamentos bíblicos vistos aqui pode declarar-se crente no Messias, pois está crendo em “outro espírito” (2Co 11:4) que não se trata do genuíno Espírito Santo.


O autor é estudante, ex-atirador do TG 02-010 em Araçatuba (SP).



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» Comentários até agora: 3.

Em 28/02/2010, às 17:20, Marcelo Marques Jose, de Maceio, ponderou:
parabens por esse estudo com certeza pessoas estão aprendendo a mais sobre o espirito santo
Em 03/09/2009, às 17:29, Carlson Ripoll Gomes, de Uruguaiana/RS, ponderou:
Como receber os dons
do Espírito Santo?
Carlson
Em 13/08/2009, às 07:10, RODRIGO SOARES SANTOS, de BARUERI, ponderou:
ESTE TEXTO A QUAL LI, É DE IMPORTANTE VALOR PARA OS NOSSOS DIAS, POIS MOSTRA ESTUDOS QUE PESSOAS NÃO SABE DIFERENCIAR UMA COISA DA OUTRA .
O QUE É DE DEUS E O QUE NÃO É, POIS EXISTE PESSOAS ENGANADAS A CERCA DE ALGUMAS QUESTÕES COMO ESTA.

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