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Doutrina

A Natureza Divina do Filho

Por Rafael Gabas Thomé de Souza

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a) A Deidade Absoluta de Cristo.

Em Jo 1:1-3 encontramos uma exposição notável acerca da deidade absoluta de Jesus. Visto à luz das Escrituras, o trecho traz muitas declarações cristológicas importantes ao nosso conhecimento:

Vs. 1

  • “No princípio era o Verbo...” – É uma referência à pré-existência eterna de Cristo: Ele sempre existiu, desde toda a eternidade (Jo 8:58; Cl 1:17; Ap 1:17);
  • “... e o Verbo estava com Deus...” – Esta cláusula fala da distinção de pessoas: o Verbo co-existia com Deus, o Pai, em eterna comunhão (Jo 17:5);
  • “... e o Verbo era Deus.” – O Verbo não apenas estava com Deus-Pai, mas Ele próprio também possuía a natureza divina, sendo, em sua essência, tudo o que Deus era: Deus.

Vs. 2
  • Ele estava no princípio com Deus.” – Este verso reafirma que Jesus preexistia como uma Pessoa distinta de Deus, o Pai, embora ambos fossem o mesmo Deus.

Vs. 3

  • “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” – O que revela que o Verbo é o Criador de todas as coisas, não fazendo Ele parte da criação (1Co 8:6; Cl 1:16; Hb 1:2,10).

O apóstolo Paulo escreveu que Jesus existia “em forma de Deus”, e que Ele “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2:6,7).

Ao tornar-se homem, Jesus não deixou de ser Deus. Sua encarnação não envolveu subtração de sua deidade. Ele apenas somou a natureza humana à sua Pessoa, tornando-se capaz de sentir fome (Mt 4:2), sede (Jo 19:28), alegria (Lc 10:21), comoção (Jo 11:33), tristeza (Mc 14:34), cansaço (Jo 4:6), dormir (Mt 8:24), chorar (Jo 11:35), comer e beber (Mt 11:19), orar (Mc 1:35), participar do crescimento humano (Lc 2:40,52), enfim, Ele tornou-se igual a nós em todos os sentidos, com a exceção de que jamais pecou (Hb 2:14.17; 4:15). Cristo tinha a natureza humana e a natureza divina.

Como homem, ele precisou do Espírito Santo para operar milagres (At 10:38); como Deus, ele era Todo-Poderoso (2Cr 20:6). Como homem, ele estava confinado em um corpo humano (Hb 10:5); como Deus, ele continuava no céu (Jo 3:13). Como homem, ele possuía um conhecimento limitado (Mc 13:32); como Deus, ele sabia todas as coisas (Jo 16:30; 21:17).

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1:14)

O Verbo que tudo criou, que era Deus e que preexistiu eternamente com Deus-Pai, se fez carne, habitando em um corpo humano. A sua habitação pessoal passou do mais alto céu para um tabernáculo humano, em uma forma humilhada de servo. Sua glória estava escondida atrás daquele véu que era seu corpo (Hb 10:19,20), a mesma glória que cobria o Templo no Antigo Testamento (Êx 40:34,35) e que Ezequiel contemplou (Ez 10:18; 11:22,23), a glória divina que Cristo deixou transparecer no Monte da Transfiguração (Mc 9:2,3).

A Bíblia diz que “foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse” (Cl 1:19), isto é, no homem Jesus Cristo, e que em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (2:9). As palavras “toda a plenitude da divindade” são referentes à natureza divina que residiu em Cristo. Embora Ele estivesse habitando um corpo limitado, Jesus possuía a natureza divina, com todos os seus atributos – onipotência, onisciência, imutabilidade, pré-existência eterna, etc. Nenhuma destas características foram abandonadas na encarnação.

Foi por esta razão que o profeta Isaías escreveu que o filho da virgem se chamaria Emanuel, isto é, Deus conosco (Is 7:14 c.c. Mt 1:20-23). A deidade absoluta, em toda a sua plenitude, residiu ali naquele corpo. Deus encarnou-se e viveu entre os homens.

Isaías também escreveu, em referência à vinda de Cristo:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Is 9:6)

Este texto apresenta nitidamente as duas naturezas de Jesus: a humana – “menino” , “filho” – e a divina – “Deus Forte, Pai da Eternidade”. Jesus foi 100% homem e 100% Deus.

b) O Filho de Deus.

Segundo a Bíblia, o título “Filho de Deus” prova a divindade de Jesus e Sua igualdade com o Pai. Negar que Jesus é o Filho de Deus é negar o Pai, e aceitá-lo como tal é ter o Pai e o Filho (1Jo 2:23).

“Igual a Deus”

Em Jo 5:16 os judeus questionam Jesus sobre sua recusa em guardar o sábado. Ele responde dizendo: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (vs.17). Este argumento seria absurdo, se Cristo não fosse Deus. O fato do Pai não guardar o sábado não livrava ninguém desta obrigação, pois ele é o Senhor absoluto de tudo, não tendo restrições em suas atividades. Por isto, o vs. 18 diz:

“Por isso, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.”

Este texto é uma das provas mais claras sobre a divindade de Cristo e Sua filiação divina. Embora Jesus estivesse exteriormente despido de Sua glória, interiormente Ele continuava compartilhando a natureza divina do Pai. A Bíblia não diz que isto foi um entendimento equivocado por parte dos ouvintes de Jesus: ela afirma claramente que o termo Filho de Deus era sinônimo de deidade absoluta e Cristo, ao apropriar-se dele de modo exclusivo, estava reivindicando identidade de natureza única com o próprio Deus. Ele não é um filho de Deus, mas sim o Filho unigênito de Deus, o único que possui a natureza do Pai (Jo 1:14,18; 3:16,18; 1Jo 4:9). Por vindicar esta posição de relacionamento exclusivo com Deus, Jesus foi condenado à crucifixão (Jo 19:7).

“Somos Um”

Em Jo 10:28-30 encontramos outra declaração do Filho de ...


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O autor é estudante, ex-atirador de guerra no TG 02-010 em Araçatuba (SP).





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