Doutrina
A Igreja: Presente ou Ausente na Grande Tribulação?
Por Rafael Gabas Thomé de Souzaao final desta página, para não comprometer a divisão do texto em páginas na impressora.
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1. Introdução
Quando a Igreja passará pelo glorioso evento do arrebatamento corporal, descrito pelo apóstolo Paulo (1Ts 4.16,17) e prometido aos santos pelo próprio Senhor Jesus (Jo 14.1-3)? Nos dias atuais, há a prevalência, no meio cristão, da corrente dispensacionista/pré-tribulacionista, que advoga que Cristo retornará ao mundo em duas etapas distintas, separadas por sete anos. Acompanhe a explicação desta visão teológica abaixo:
- A primeira etapa (o Arrebatamento) seria um evento invisível para o mundo, em que Jesus viria “raptar” Sua Noiva do mundo, livrando-a de passar pelas pragas a serem derramadas na Terra durante a Grande Tribulação (1Ts 4.16,17; 1Ts 5.9; Ap 3.10).
- A segunda etapa (o Juízo das nações) seria a vinda do Senhor propriamente dita, em que Ele seria acompanhado da Igreja ressurreta, a fim de livrar o povo de Israel da destruição iminente, ocasionando a conversão em massa de todos os judeus, os quais tomariam parte num reinado político de mil anos governado por Cristo, no qual várias promessas proféticas seriam cumpridas a eles (Jl 3.1-21; Zc 12.1-14.21; Mt 25.31-46; Ap 20.1-6).
Só depois dos mil anos de governo teocrático sobre as nações, encabeçado pelos judeus convertidos ao Messias, é que o Juízo Final seria executado, mas apenas sobre os pecadores impenitentes de todas as gerações. Os teólogos expositores desta visão escatológica utilizam-se, muitas vezes, de argumentos mais filosóficos que bíblicos para defender a retirada da Igreja antes da Grande Tribulação. Afirmam, por exemplo, que o Espírito Santo impede que o Anticristo se levante no mundo (2Ts 2.6,7). Uma vez que o Espírito de Deus habita a Igreja de Cristo (1Co 3.16), seria necessário que Ele se retirasse do mundo juntamente com ela, a fim de dar espaço à atuação de Satanás.
Realmente, isso parte de um princípio verdadeiro (o de que o Espírito Santo é o elemento repressor do Anticristo), mas erra ao afirmar que a Igreja deve ser tirada da Terra para que a presença do Espírito seja extingüida. No próprio capítulo citado, o apóstolo Paulo explica a forma pela qual o Espírito se retirará do mundo:
”Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, que por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.
Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” (2Ts 2.1-4)
Deste texto extraímos as seguintes informações:
- A segunda vinda de Cristo não é iminente, ou seja, ela não é algo que pode ocorrer a qualquer instante;
- Antes do retorno do Senhor Jesus, para arrebatar os crentes, haverá uma apostasia generalizada;
- O Iníquo, ou Anticristo, se exaltará no templo de Deus.
O Novo Testamento apresenta a Igreja como verdadeiro santuário de Deus:
“Assim já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Ef 2.19-22)
A Igreja é o templo de Deus, a embaixada da Jerusalém celestial (Hb 12.22,23), onde o Iníquo se estabelecerá, proclamando-se como Deus. Isso será possível devido à apostasia (o abandono da verdadeira doutrina) presenciada no seio cristão dos últimos dias. Logo, concluímos que a Igreja estará presente na Terra quando Satanás levantar seu instrumento humano, o homem que perseguirá os remanescentes selados de Deus (Mt 25.41-45; Ap 12.15-17; 20.9)
Outra asseveração dos pré-tribulacionistas é que a Igreja é o Corpo de Cristo, e o Senhor Jesus já passou por toda a tribulação, entrando em glória posteriormente. Por isso, seria impróprio que a Igreja padecesse sob a ira divina. Essa conclusão parte de dois pontos indiscutíveis: (1º) A Igreja é o Corpo de Cristo; (2º) A Igreja não será punida pela ira de Deus. O erro está em raciocinar que o Corpo de Cristo não poderia permanecer na Terra incólume durante os juízos decorrentes sobre os descrentes (cf. Is 26.20,21), ao mesmo tempo em que sofreria perseguições sob a mão do Anticristo. “Se sofrermos, também com ele reinaremos...” (2Tm 2.12).
A ira de Deus, aludida em 1Ts 5.9, refere-se à condenação eterna, o lago de fogo que arde com enxofre do qual aqueles que participam da 1ª ressurreição estão livres. A respeito do ímpio irregenerado, as Escrituras enfatizam: “...esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e do Cordeiro” (Ap 14.9-11; cf. Jo 3.36). O fato da Igreja ser o Corpo de Cristo não a exclui de sofrer torturas pelo reino de Deus; ao contrário, o sofrimento do Senhor Jesus é o modelo do comportamento a ser tomado pelos verdadeiros cristãos:
“Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério.” (Hb 13.12,13)
Quando alguém afirma que “a vida é curta”, todos compreendem essa declaração de forma genérica; quando essa mesma pessoa diz que “a vida é longa”, longe de cair em contradição, ela se refere à vivência de modo detalhado, com suas divisões de fases, anos, eventos marcantes etc.
Os cristãos esperam a vinda de Cristo e se preparam todos os dias para se encontrar com Ele, pois Sua volta é próxima, mas não iminente.
2. As Duas Fases Da Volta de Jesus Cristo
As ...

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O autor é estudante.
Só uma coisinha?
Pra onde vcs levaram o milênio?
Anderson Biage



