Vida Cristã
A Adoração Decaída x Adoração Verdadeira
Por Luiz Carlos dos Santosao final desta página, para não comprometer a divisão do texto em páginas na impressora.
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Texto Base:
Mc. 10: 17 a 23 - "Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; a ninguém defraudarás; honra a teu pai e a tua mãe. Ele, porém, lhe replicou: Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude. E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Uma coisa te falta; vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitos bens. Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!"
1. Adoração, o Que É?
Enquanto substantivo feminino adoração é "ato ou efeito de adorar". Enquanto verbo transitivo direto e intransitivo adorar é "prestar culto a divindade". Entretanto há os sentidos denotativo e conotativo desta palavra:
- Denotativamente adoração quer dizer apenas uma sugestão figurativa do respeito ou veneração que alguém tem ou presume ter em relação a outro alguém ou algo. Mas não é necessariamente o que a pessoa quer e pratica.
- Conotativamente adoração indica um vínculo direto e real de veneração e amor que alguém pode ter a outro alguém ou algo.
No sentido denotativo, adoração é, portanto, uma atitude que pode não ser seguida de uma ação real e recíproca de alguém em relação a algo ou alguém. Pode ser apenas resultante dos condicionantes e das contingências culturais e emocionais de uma pessoa. Isto ocorre devido às pressões das suas carências e necessidades resultantes da condição decaída latente no homem cuja natureza pecaminosa não foi regenerada.
Teologicamente a adoração pode ser realizada de duas formas e com dois conteúdos:
- Adoração religiosa decaída e desprovida do conteúdo da verdade.
- Adoração ressurrecta e provida do conteúdo da graça e da verdade.
Adorar é realmente reconhecermos o que Deus é independentemente do que Ele faz ou deixa de fazer em nosso benefício.
No texto acima de Marcos 10 verificamos um típico caso de adoração morta ou decaída. Este tipo de adoração é, primeiramente, unilateral, pois parte apenas dos pressupostos religiosos e legalistas do adorador em seu estado decaído e em sua religiosidade barganhista. Para os que conseguem ver apenas o exterior "juraria" que, aquele homem estava realmente prestando uma verdadeira adoração ao Senhor, por conta do aspecto exterior da sua atitude: "ajoelhou-se diante dele...bom mestre". Todavia, Jesus tratou com aquele homem religioso não de acordo com a atitude dele, mas de acordo com a Sua capacidade de julgamento isenta, porém não excludente. Jesus fez uma sondagem de caráter bíblico para expor ao que o interpelava a sua real condição.
Ao citar-lhe os mandamentos, o Senhor quis mostrar-lhe que, pela lei nenhuma carne se salva cf. Gl. 2:16 - "...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada." Ora, a ação de Jesus foi pedagógica no sentido de conduzir aquele espírito morto, isto é, separado, a uma autoverificação a fim de levá-lo a reconhecer-se a si mesmo como necessitado da graça e da misericórdia de Deus cf. Ef. 2: 4 e 5 - "...Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo, pela graça sois salvos."
É fundamental sabermos pela Palavra que somente Deus, o Pai pode levar o homem pecador à regeneração cf. Jo. 6: 44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Lamentavelmente o homem que se aproximara de Jesus no texto de Mc. 10, não se rendeu diante da proposta de demolição que Jesus lhe proporcionou, mas se afirmou em seus próprios pressupostos decaídos e religiosos cf. "Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude." Entretanto, o Senhor Jesus ainda lhe estendeu a última oportunidade de se ver a si mesmo em sua condição decaída cf. "E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse:..." A cena que se seguiu foi duplamente triste, pois o homem se entristeceu pela possibilidade de perder a motivação da sua vida, isto é, os bens materiais. E, triste por ter aquele homem virado as suas costas à única possibilidade de uma adoração ressurrecta e verdadeira a ele oferecida.
A adoração ressurrecta é aquela que só ocorre depois do novo nascimento, isto é, da obra de regeneração do homem decaído na morte da sua morte, na morte de Jesus cf. Rm. 6: 6 e 7 - "...sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado."
2. Adoração Interesseira.
Mt. 20: 20 a 25 - "Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um a à tua direita, e o outro à tua esquerda. Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos. Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai."
Este texto possui uma riqueza inesgotável de revelação da verdade de Deus. A mulher de Zebedeu e mãe de Tiago e João cf. o texto correlato de Mc. 10 se achegou a Jesus e lhe fez um pedido muito extravagante: garantir que seus filhos ocupassem posições de destaque ...

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