Doutrina
Fé Sem Obras e Obras Sem Fé
Por Luiz Carlos dos Santosao final desta página, para não comprometer a divisão do texto em páginas na impressora.
Ir para a página: 01 02 03 04

Texto: Tg. 2: 18 – “Mas dirá alguém: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.”
1. Obras, O Que São?
Talvez o cerne de toda discussão entre religião e verdade esteja na questão mais ou menos dialética acerca das obras e da fé. De um lado temos os neoarminianistas e neopelagianistas que defendem a necessidade de o homem participar no processo da santificação por meio das obras. Neste caso, e, para estes tais, a graça não é suficiente e muito menos eficiente. Acrescentam à ação soberana e graciosa de Deus algo mais, algo humano, pois assim o homem aparece no processo da salvação, não apenas como sujeito, mas também como agente. Do outro lado estão os que se afirmam na teologia bíblica e, portanto apresentam o argumento “sola fide, soli Christo, soli Deo Gloria, sola scriptura e sola gratia”. Esta é a base da teologia reformada: só a fé, só Cristo, Glória só a Deus e só a Graça.
O objetivo deste estudo não é exaltar teólogos ou correntes de pensamento teológico, mas tão somente honrar ao Senhor Deus pregando a Sua Palavra. Bastam os muitos diluidores da graça de Deus que militam nas igrejas, seminários, editoras e conferências em todos os cantos do mundo. São mensageiros sem mensagem que pregam suas próprias concepções mais do que suas concepções próprias.
Assim, entendemos que há dois sistemas teológicos no mundo: o da mentira e o da verdade. Aquele acrescenta à Graça alguma coisa a mais a partir do homem. Este recebe apenas a Graça como dom de Deus, e, por meio dela, o homem é vivificado deixando de ser pecador para viver da fé e, a partir desta, opera nele a regeneração para a santificação em Cristo. Nem mais, nem menos do que esta verdade bíblica.
Os dicionários trazem uma infinidade de acepções para a palavra obra, todavia as melhores definições dicionarescas de obra são: “aquilo que resulta de um trabalho, de uma ação; conjunto das ações realizadas por alguém, alguma coisa ou um fenômeno (natural, social, psicológico) em vista de um certo resultado.” Por tais definições entendemos que a obra é sempre resultante de um esforço ou trabalho de alguém ou alguma coisa. Por isso, envolve mérito e justiça própria. E, mais do que isto visa algum benefício ou resultado.
Há no Novo Testamento diversas categorias de obras:
- As obras da Lei cf. Rm. 3: 20 e 28 e Gl. 2: 16 e 3: 2, 5 e 10.
- As obras da carne cf. Gl. 5:19.
- As obras das trevas cf. Rm. 13:12.
- As obras das mãos cf. At. 7:41; Hb. 1:10 e Ap. 9:20.
- As obras de Deus cf. Jo. 6: 28 e 9:3.
- As obras de Abraão cf. Jo. 8:39.
- As obras de justiça cf. Tt. 3:5.
- As obras d’Aquele que me enviou cf. Jo. 9:4.
- As obras deles cf. II Pd. 2: 8.
- As obras de impiedade cf. Jd. 15.
- As obras dela, isto é, da mentira nas igrejas cf. Ap. 2:22.
- As obras de vosso pai, isto é, a obra do Diabo cf. Jo. 8:41.
- As obras de vossos pais, isto é, as obras da tradição cf. Lc. 11:48.
Conseqüentemente há na religião, muitos equívocos com relação às obras, especialmente as boas obras.
Os religiosos de modo geral tomam o efeito pela causa e a causa pelo efeito no tocante às boas obras. Isto quer dizer que a maioria deles entende que se deve fazer muitas boas obras para alcançar graça e perdão de Deus. Ou ainda, deve-se realizar um grande esforço para agradar a Deus e, assim, obter benefícios d’Ele. E, finalmente que se deve fazer o máximo de obras para Deus a fim de anular os possíveis erros e pecados que se comete ao longo da existência.
Teologicamente e doutrinariamente há ainda hoje ensinos claramente de origem pelagiana e arminiana que dizem ser as obras necessárias ao processo de salvação e de santificação do homem. Isto implica em colocar o homem como co-participante no processo e, com isso, anular a Graça plena de Deus. Entra neste caso, a questão meritória do pecador que, segundo estes falsos ensinos, é portador do livre-arbítrio e tem participação ativa na “ordo salutis”, isto é, na ordem da salvação.
Mais grave do que a questão do mérito é a questão do “querer ser semelhante a Deus” adquirido lá no Éden cf. Gn. 3:5 – “Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.” Estas foram palavras do Diabo dirigidas à mulher e, por elas ele acenou com a possibilidade de o homem ser portador da capacidade de discernir entre o bem e o mal. assim, este seria semelhante a Deus. É impressionante como o mesmo pecado inoculado no coração do homem no Éden desde a aurora dos tempos, ainda hoje é o mesmo inoculado nos religiosos dentro das igrejas denominacionais e humanas.
Verifica-se o seguinte, na medida que alguém afirma que o homem tem o poder de escolher livremente ou de fazer isto ou aquilo para adquirir qualquer coisa da parte de Deus, ele está exercitando exatamente o conhecimento do bem e do mal que adquiriu no Éden por herança adâmica. Por esta razão é que até o bem que o religioso faz é, aos olhos de Deus, iniqüidade cf. Mt. 7: 22 e 23 – “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.”
Profetizar, expelir demônios e realizar milagres são coisas muito boas, porém se tornam iniqüidades quando realizadas por quem não experimentou o novo nascimento na inclusão da sua natureza pecaminosa na morte de Jesus na cruz. Estes que realizam estas coisas até mesmo em nome de Jesus, o fazem por meio do conhecimento do bem e do mal, portanto, com a participação da natureza decaída e separada de Deus. São portentos realizados com base no poder latente da alma. Iniqüidade é falta de equidade e, apenas um ser fora de Deus está em desequilíbrio ou iniqüidade, porque iniqüidade é pecado cf. I Jo. 5: 17. Na realidade ...

Página 1 de 4
Ir para a página: 01 02 03 04
Gostaria de ser o primeiro?
Preencha o formulário ao lado.



