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Especial para Militares

'O Senhor é a Minha Bandeira'

Por Cleber Olympio

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"Então disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus. E Moisés edificou um altar, ao qual chamou: O SENHOR é MINHA BANDEIRA". (Êx 17:8-16)

Por convenção, os países adotam símbolos para se identificarem perante o mundo, as demais nações. São símbolos da República Federativa do Brasil, por força constitucional (art. 13, § 1º) a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais. A bandeira, entretanto, tem um destaque todo especial, sendo facilmente reconhecida pelo seu aspecto visual, desde crianças até idosos. Quem nunca viu uma bandeira a tremular em ocasiões cívicas, em unidades militares, ou mesmo durante a Copa do Mundo, em que boa parte do povo se torna "patriota por um mês"? Qual o significado da bandeira para um povo?

Acepções comuns de bandeira são a formação de identidade de um povo - eis que há povos com bandeira e sem estado, como a Palestina ou o Curdistão - e a representação gráfica de elementos e valores de uma nação. Cores e formas são utilizadas para exibir o que há de melhor e mais importante para uma nação.

E para o militar? Por vezes, a Bandeira figura em canções bastante conhecidas - como a "Fibra de Herói", a "Nobre Infantaria" trazem termos alusivos à bandeira pátria. O expediente inicia com o hasteamento ao Pavilhão Nacional; o fim do expediente é marcado com o seu recolhimento. O dia 19 de novembro marca uma comemoração especial: em Brasília ocorre a troca da Bandeira, e o respectivo hino é entoado, no qual a bandeira é chamada de "lindo pendão da esperança" e "símbolo augusto da paz". Ela sempre inicia e finda a parte mais importante das cerimônias militares, tendo sempre lugar de destaque - incorporada e desincorporada. O militar de fronteira também a conhece de seu fardamento, ao exibi-la em um de seus braços. A Bandeira motiva, pois ela representa todo o povo brasileiro, a quem o militar serve e a quem, se preciso for, dá a própria vida para proteger.

Um já idoso Manual de Instrução Militar de 1938 traz um exemplo de amor à Bandeira, e da importância dela para uma tropa. O episódio em questão ocorreu durante a Guerra do Paraguai:

Em uma noite de cerração fechada, em que o 30º Batalhão de voluntários fazia o serviço de proteção às linhas da vanguarda em Tuiú-Cué, o inimigo favorecido pelo nevoeiro espesso, pôde esgueirar-se por dentro do pequeno banhado que havia entre o cordão das sentinelas, indo cair sobre o batalhão que, confiado na atividade das vedetas, se entregara ao sono.

Despertado o batalhão pela cutilada traiçoeira dos paraguaios, tonto de sono, perdido na densa nebilia que o cercava, mal pôde organizar a sua forma e procurar a vindita da ocasião.

Enfim, unidos os soldados travaram luta com o assaltante, e o afugentaram.

Nisto, um dos cabos de esquadra de que se formava o pelotão da bandeira ergue-se mal ferido, vê o alferes com os seus cinco companheiros mortos.

"Levaram nossa bandeira", gemeu o pobre homem a sumir-lhe a voz na garganta.

Um calafrio horrível percorreu a espinha do invicto batalhão como se todos fossem um só organismo.

Ouviu-se instantes depois doloroso grito do Comandante, o tenente-coronel Apolonio Peres Campelo Jácome da Gama:

- A morte de todos ou a bandeira, já!

Um ruído horrífico seguiu-se à ordem recebida; e o 30º de voluntários, mais parecendo horda de selvagens do que força militar organizada, derramou-se nas trevas em completa debandada, transpôs o banhado por onde viera o inimigo, passou correndo por entre ele que ainda ia perto, tomando-lhe a frente, e estacou. O bravo corpo de voluntários achava-se agora colhido entre dois fogos, mas rapidamente refletiu que o uso das armas de fogo o exporia a ser fuzilado pelas costas e de frente.

A ousadia deste cometimento era o desespero da audácia!

Então...

Brilhou na escuridão da noite a lâmina cintilante dos sabres.

A luta foi renhida, a gritaria inimiga intensa, mas os nossos patrícios nem um gemido, nem uma sílaba, nem o mais leve rumor deixaram escapar. Meia hora depois voltava pouco mais de metade do 30º de voluntários, carregando seus feridos, armas e a bandeira que o inimigo lhe arrebatara.

O contentamento, a alegria do comandante foi tamanha que, levado por excesso de emoção, caiu do cavalo, vítima de um ataque que tão sério foi, que nunca mais teve uso perfeito de suas faculdades mentais.

Ele que dissera ao saber que o lábaro do batalhão fora presa do inimigo: "Estou desonrado!" não tivera forças para suportar o choque de sua vitoriosa reabilitação!

A bandeira desfraldada às auras matutinas, pois que a manhã se aproximava, foi saudada com o Hino Nacional (1).

A Bandeira é a Pátria simbolizada, o sinal de vitória, a razão de um combate. O militar levanta a bandeira em tempo de paz - trazendo à memória quem somos, de onde viemos como povo, a quem servimos, nossos costumes e tradições, e em tempo de guerra, para que ânimos se levantem, lembranças dos tempos de paz venham à mente e possam se concretizar novamente, e que os ideais uma vez prometidos diante do Pavilhão Nacional sejam mantidos. Estandartes de companhias e pelotões são erguidos, para que se lembre da unidade, do corpo de tropa, da coesão que vence a batalha.

De forma semelhante, e bastante significativa, foi o bordão de Moisés, no relato de êxodo 17:8-16. Este bordão era como o estandarte do povo: erguido, dava vitória; abaixado, elevava o moral do inimigo, fazia o povo se distrair e perder a razão de lutar.

A pergunta que salta aos olhos é a seguinte: havia poder no objeto estandarte? O texto demonstra que não. O poder vinha de Deus, que ...


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NOTA

(1) ARAGÃO, A. et alii. Manual de Instrução Militar para o candidato a reservista do Exército - 12ª Edição, de acordo com os moderos regulamentos militares, aumentada com uma crítica-prefácio do Major Carlos Villaça. São Paulo: Estabelecimento Gráfico Cruzeiro do Sul, 1938. Págs. 09 a 11. Trecho em grafia atualizada.





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» Comentários até agora: 5.

Em 18/03/2012, às 01:47, Osvaldo, de Rio De Janeiro, ponderou:
obrigado pelo ensinamento
Em 25/02/2012, às 20:55, Jose Fernandes Antonio, de Luanda-Angola, ponderou:
Amado é o q eu procurava, e gostaria q falasses da importância e dos significados das cores nas distintas bandeiras.
Em 02/06/2011, às 00:55, Daniel, de Serra ES, ponderou:
Com certeza algo de extrema riqueza, estou fazendo um estudo sobre guerra espiritual e começarei a falar sobre a bandeira, foi de suma utilidade. Parabéns que Deus te abençoe.
Em 16/02/2011, às 11:56, Pr. Josué Martins, de SJC, ponderou:
muito bom... enriquecedor
Em 02/07/2009, às 20:07, Adriane, de Recife, ponderou:
Muito importante e útil,era o que estava procurando.
Parabéns.

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